sexta-feira, 7 de agosto de 2009

INVERNO - 1999




MEU MEDO É COMO VENTO NO DESERTO, QUE PASSA CORRENDO PELO VAZIO;

MEU MEDO É COMO ÁGUA NO MAR, SEMPRE PRESENTE, QUE ME SACODE E ENGOLE AS ESPERANÇAS DE ENCONTRAR TERRA FIRME;

O MEDO DE UM PÁSSARO PROCURANDO A FLOR;

MEU MEDO VIU TUDO QUEBRADO;

LOBO SOLITÁRIO NA NOITE, A MADRUGADA VAGA ATRAVÉS DAS HORAS, E LÁ VEM MAIS HORAS;

MEU MEDO TEM MEDO DAS HORAS;

MEU MEDO TEM À FRENTE UM PRECIPÍCIO E ATRÁS... MEU MEDO SENTE DOR QUANDO OLHA PARA TRÁS;

NO VAZIO DOS DIAS LOTADOS, PERDE OS PASSAPORTES E FICA SEM SABER QUEM É;

QUAL O SENTIDO DA PALAVRA MEDO? SEM IDENTIDADE, MEU MEDO NÃO PODE PROSSEGUIR, NEM FICAR PARADO. ENTÃO SE CONFUNDE COMIGO.

MEU MEDO NÃO SABE QUEM É.

O VAZIO DOS CÂNTAROS, AS NÁUSEAS DO CORAÇÃO;

MEU MEDO TEM NÁUSEAS E NÃO SABE MAIS DO QUE SE ALIMENTA;

MAS, LOUCAMENTE, ELE NÃO MORRE DE FOME;

TALVEZ SEJA ZUMBI

ATACA E NOCAUTEIA OS ÚLTIMOS DIAS, DOS DIAS QUE NÃO ACABAM,

TALVEZ ELE NÃO SE VÁ, POR JÁ FAZER PARTE DA PAISAGEM;

PARECE QUE ESSA É A ÚLTIMA PAISAGEM;

MEU MEDO TEM MEDO DE VIRAR A PÁGINA E VÊ-LA EM BRANCO;

ELE SABE DESENHAR COMO NINGUÉM;

MAS ESTÁ CANSADO DE FAZER MÃOS ENTRELAÇADAS;

É PORQUE ELAS NUNCA SAEM DO PAPEL;

ENTÃO, MEU MEDO VIU QUE NÃO ADIANTA;

AS MÃOS MENTEM SEMPRE;

COM PAUTAS VAZIAS, MEU MEDO ENSAIA O RAFE DE UMA MÃO LIVRE SORRINDO,

MAS, NO FUNDO, ELE ACHA QUE MÃOS LIVRES NÃO SORRIEM DE VERDADE,

ENTÃO, MUDO, SE QUEDA PENSANDO.



Um comentário:

  1. Putz, Dani... Palavras que poderiam ser minhas, de outros, de todos... Fico a pensar por que tanto medo. As vezes acho que antes, outrora, não fosse assim...Talvez achando que a nostalgia do que não foi vivido fosse capaz de aplacar esse medo... Ilusão de meninice...Pouco importa. O que é relevante, aqui, é o quão bela foi sua poesia, sua pensata...Palavras que poderiam ter sido minhas, de todos!!!!

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